Memórias de uma alma triste

25 de julho de 2013 § 5 Comentários

Não sei definir que tipo de vida levo. Não sei quando acordo, muito menos quando durmo. Não consigo imaginar como chego aos lugares. Lugares que nunca conheci e pessoas com as quais nunca convivi. Não sinto o gosto da comida, nem amarga e nem doce. Não vejo o que visto e nem com o que me pareço. Na verdade, são tantas coisas que eu não sei que evito qualquer coisa que me faça saber.

E, mesmo assim, vou seguindo. Sugado por esse buraco negro e vazio que ainda teimam em chamar de vida. Perdido no vácuo absolutamente sozinho, preso, lacrado no corpo de uma pessoa que sofre ao aceitar somente aquilo que lhe oferecem. Eu clamo, grito, eu peço socorro, mas não vem ninguém. Então, eu só espero por um impulso na tentativa de resgatar aquela vida que não é minha. Ou melhor, que um dia já foi minha.

Em algum momento eu sei que me perdi. E, subitamente, me vi neste cativeiro, sem que ninguém tenha pedido qualquer recompensa. Obrigado a assistir a minha própria ruína, pouco a pouco fui me desconstruindo, promovendo rupturas e fechando ciclos que nem tinham sido iniciados. Dia após dia, reclamo, praguejo e traço planos mirabolantes para fugir daqui. Entretanto, sempre me sinto forçado e puxado para essa realidade, que de real parece não ter nada.

Faço e refaço os cinco estágios do sofrimento. E confesso ter criado até uma simpatia pelo estágio da depressão. Afinal, sofrer dói e sentir dor é ainda se encontrar vivo. No entanto, é na aceitação que encontro tempo para refletir e tentar entender como fui parar aqui. As conclusões são sempre clichês, como se a minha existência fosse uma piada pronta, longa e sem a menor graça, diga-se de passagem.

Talvez, o excesso de aceitação tenha me aprisionado nesta inércia, em que nada, nada mesmo, muda. Às vezes, até muda a forma como uma ou duas coisas se apresentam, mas a essência continua ali, intacta, feroz, pronta pra te colocar no seu devido lugar, independente daquilo que você realmente deseja. Inclusive, acho que este tenha sido o meu maior erro: querer demais!

Claro que todo e qualquer mortal deseja algo. Tem sempre alguém que quer se realizar no trabalho, quer ter um bem material para si ou quer formar uma família. No entanto, me pergunto: só conseguir algo que se quer é suficiente? Não, não é. Existe tanta coisa por trás de cada desejo. Você pode se graduar em algo, mas descobrir odiar a profissão que você escolheu. Ou conseguir assumir um compromisso amoroso com alguém, mas não necessariamente ser amado por esse mesmo alguém. São muitos os exemplos possíveis e tudo isso só pra dizer que as suas expectativas sobre você ou sobre os outros podem jamais ser superadas.

Penso que esta tenha sido a razão para afundar na minha própria miséria. Querer demais daquele menino ingênuo, puro e alheio aos problemas da vida lhe causou danos irreparáveis. E hoje, mais que ninguém, eu sei disso. Por se entregar demais, por amar demais, por ser intenso demais foi morrendo aos poucos a cada decepção, a cada amor não correspondido e a cada vez que deitava a cabeça no travesseiro e pensava o quão inútil e desmerecedor ele era.

Provavelmente, os insensíveis dirão: “quanto exagero, isso não passa de drama!”. Talvez, em algum ponto eu até concorde, mas ninguém sabe o quão profundas são as marcas da falta de consideração e de amor ao próximo. Nesse momento, me mantenho prisioneiro de mim, enquanto alguém com a minha aparência tenta mostrar que está tudo bem.

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